Osteoartrose do quadril
A osteoartrose do quadril é uma condição em que há destruição da cartilagem hialina da cabeça femoral e do acetábulo. Esta patologia pode ocorrer como consequência de vários processos patológicos como trauma, osteonecrose, artrites inflamatórias, impacto femoroacetabular dentre outros.

A maior e mais importante consequência da destruição da cartilagem articular é a dor. Este sintoma secundário a osteoartrose do quadril tende a ser crônico e progressivo evoluindo normalmente no decorrer de meses a anos. É comum que haja pequenas oscilações da intensidade da dor entre as semanas e/ou meses, havendo semanas melhores e outras piores. Normalmente os sintomas são intensificados em caminhadas longas, ao escalar lances de escada e ao permanecer na posição de pé por longos períodos. A dor normalmente é sentida na virilha, porém, pode também ser referida para a região lateral do quadril, para a região glútea assim como para o joelho.

É frequente também observarmos rigidez articular progressiva com dificuldades para atividades da vida diária como amarrar os sapatos ou cortar as unhas dos pés. O encurtamento do membro inferior afetado é comum e também tende a ser progressivo.

A confirmação do diagnóstico da OA do quadril se dá através de exame físico e exames radiográficos. Nos exames de imagem, podemos observar uma diminuição do espaço articular, cistos subcondrais e esclerose do osso subcondral nas articulações acometidas. No exame físico, observamos diminuição do arco de movimento e dor intrarticular nas manobras provocativas.

Tratamento

O tratamento adequado da osteoartrose do quadril depende do estágio evolutivo da doença, da idade do paciente, da intensidade dos sintomas e da incapacidade funcional apresentada pelo paciente no momento da consulta inicial.

Tratamento Conservador (Não Cirúrgico)

A primeira linha de tratamento para esta patologia é o conservador, que consiste em medidas como: mudanças de hábito, utilização de antinflamatórios, utilização de condroprotetores orais, fortalecimento muscular e perda de peso.

O afastamento das atividades físicas que causam intensificação dos sintomas pode tornar o quadro clínico da OA do quadril tolerável para alguns pacientes. A utilização de antinflamatórios ajuda a diminuir o processo inflamatório que contribui com o quadro álgico. Alguns estudos demonstram que a utilização de uma bengala na mão do lado contrário ao quadril afetado durante a caminhada diminui a força através da articulação. Finalmente, a perda de peso diminui as forças reacionais através do quadril e deve sempre ser tentada.

Tratamento Cirúrgico

Pessoas portadoras de artrose do quadril normalmente se perguntam qual deve ser a hora correta para se submeterem ao tratamento cirúrgico. A resposta para esta pergunta é muito individualizada e depende basicamente do nível de atividade física e das necessidades funcionais de cada paciente. Muitos indivíduos com artrose do quadril convivem com um nível de dor que os impede de participar de atividades que amam, ou que os acorda à noite ou que os impede de realizar atividades básicas da vida diária como calçar sapatos e meias. A artroplastia total do quadril (prótese de quadril) oferece uma solução para estes indivíduos e visa, principalmente, curar a dor e restabelecer um alto nível de atividade funcional. Importante salientar que a colocação de uma prótese nestas situações consiste no procedimento padrão ouro no manejo desta patologia e que existe uma elevadíssima taxa de sucesso e satisfação nos pacientes tratados baseado em dados estatísticos de todos os grandes centros de cirurgia de quadril mundiais e brasileiros.

O tratamento cirúrgico pode ser a melhor opção terapêutica para aqueles casos em que as medidas de tratamento conservador não se mostraram eficazes no alívio adequado dos sintomas. O exato tipo de cirurgia depende da idade do paciente, da anatomia óssea e do nível de atividade física do indivíduo.

Este procedimento, tecnicamente conhecido como Artroplastia Total do Quadril (ATQ), consiste na substituição da articulação acometida por implantes metálicos biocompatíveis (não há rejeição do organismo ao implante) que permitem que o paciente recupere em curto espaço de tempo toda a sua independência e qualidade de vida livres da dor e da rigidez articular. Durante a cirurgia, tanto o acetábulo artrítico quanto a cabeça femoral são substituídos. Um implante acetabular não cimentado (raramente utilizamos acetábulos cimentados) é posicionado e fixado sob pressão enquanto uma haste femoral, normalmente não cimentada, é fixada dentro do canal femoral. Estes dois implantes articulam-se entre si através de uma cabeça femoral metálica e de um componente acetabular em polietileno. A combinação cabeça em metal + acetábulo em polietileno é extremamente segura e também durável. Porém, em casos específicos, como em pacientes muito jovens e de alta demanda funcional, é possível a utilização de outros pares tribológicos como: cabeça de cerâmica-acetábulo em polietileno; cabeça de cerâmica-acetábulo em cerâmica e cabeça metálica-acetábulo metálico. Todas estas opções apresentam prós e contras e devem ser discutidas e indicadas individualmente caso a caso.

Esta cirurgia é realizada dentro de um centro cirúrgico dotado de um sistema de fluxo laminar que diminui sensivelmente as chances de contaminação infecciosa do sítio cirúrgico. A equipe cirúrgica é dotada de seu cirurgião mais dois ou três auxiliares e um instrumentador cirúrgico. Todos os componentes da equipe utilizam aparatos estéreis durante todo o procedimento cirúrgico.

A anestesia peridural normalmente é utilizada e é a mesma anestesia utilizada em mulheres para a realização da cesariana. O paciente fica anestesiado da cintura para baixo e é sedado com medicação venosa para que tenha maior conforto durante todo o ato cirúrgico.

Depois da anestesia, o paciente é colocado na posição lateral. A incisão para a artroplastia total do quadril é feita ao longo da região lateral do quadril e mede entre 8-14 cm dependendo de sua anatomia. A cicatriz apresenta bom aspecto e normalmente fica totalmente encoberta pelas roupas.

O procedimento normalmente dura entre 1-2 horas. Uma radiografia do novo quadril é realizado ainda no centro cirúrgico. Alguns pacientes são encaminhados para o quarto enquanto outros são encaminhados para uma unidade pós operatória onde permanecem por 24h e onde permanecem monitorados e acompanhados por uma equipe treinada e experiente em cuidados pós operatórios. Esta decisão é tomada caso a caso e é dividida entre o cirurgião e o anestesista. A maioria dos pacientes permanece internada por 2 a 3 dias após a cirurgia. Pacientes mais jovens e saudáveis podem receber alta mais rapidamente se considerado seguro e na dependência da avaliação médica individualizada.

Riscos

Alguns dos riscos associados a este procedimento incluem perda sanguínea, trombose venosa profunda no membro inferior operado e infecção. A incidência destas complicações é muito baixa. Elas devem ser discutidas com seu cirurgião antes da realização do procedimento.

Alguns dos riscos de se ter uma prótese total do quadril incluem:

  • Chance de luxação (desencaixe da cabeça femoral do acetábulo).
  • Desgaste das partes durante os anos de uso.
  • A prótese pode se tornar infectada.

Novamente, estes itens devem ser discutidos com seu cirurgião no pré operatório.

Longevidade da Prótese

Uma prótese de quadril tem um tempo de duração como qualquer componente de um conjunto mecânico. A sua longevidade depende de um conjunto de fatores como:

  • Peso do paciente.
  • Nível de atividade do paciente.
  • Características mecânicas do implante.

A resposta para a pergunta sobre a longevidade deste implante tem sido perseguida há anos. Os trabalhos científicos atuais indicam que 80% das prótese permanecem funcionando muito bem num período de 20 anos.

Evolução Pós-Operatória

Imediatamente após a cirurgia, o paciente pode ser encaminhado tanto para o quarto quanto para uma unidade pós-operatória. A reabilitação já deve ser iniciada no mesmo dia da cirurgia com incentivos para a realização de contração ativa da musculatura das panturrilhas assim como da musculatura das coxas e dos glúteos. Assim que o paciente recupere a sensibilidade de suas pernas, ele será estimulado a ficar sentado, a ficar na posição ereta e a realizar curtas caminhadas com auxílio de um andador e sempre sob supervisão de um fisioterapeuta.

O primeiro dia após a cirurgia é um dia bastante ativo. O paciente se encontrará novamente com nossos fisioterapeutas que irão instruir mais exercícios a serem efetuados na posição deitada. A colocação do paciente em posição ereta também será estimulada assim como pequenas caminhadas com auxílio do andador. Orientações sobre as posições a serem evitadas no pós operatório assim como pequenos “truques” para uma melhor e mais agradavél reabilitação serão repassadas.

Os dias que se seguem fazem com que o paciente se sinta cada vez mais independente e livre para se locomover. Muitos dos pacientes já não recebem medicações venosas a esta altura e evoluem frequentemente para marcha com auxílio de muletas no lugar do andador.

A alta do paciente é dada pelo corpo clínico em conjunto com um médico da equipe cirúrgica. O transporte domiciliar é feito por meio de ambulância para que o paciente possa ser transferido para casa na maior segurança e conforto possíveis.

O retorno às atividades cotidianas vai ser guiado pela equipe cirúrgica e fisioterápica em conjunto. Normalmente o paciente encontra-se apto a caminhar pela distância que desejar por volta da 6a semana pós-operatória. É também na 6a semana em que os pacientes são liberados para dirigir. Por volta da 8a semana nossos pacientes são liberados para prática de natação e por volta da 12a são liberados para algumas atividades como a prática de tênis. Seu cirurgião dará orientações sobre quais atividades serão retomadas.

Perguntas Frequentes

O que é e o que causa a Osteoartrose do Quadril?

A osteoartrose do quadril é uma destruição da cartilagem que recobre as superfícies de carga tanto do acetábulo quanto da cabeça femoral. A cartilagem é uma substância que é desprovida de terminações neurológicas (ela não dói). Porém quando esta estrutura está danificada, há exposição do osso subcondral, este sim rico em terminações nervosas e que será responsável por grande parte da sintomatologia destes pacientes. A osteoartrose pode ser secundária a eventos traumáticos de grande energia, infecções articulares, doenças da infância, osteonecrose da cabeça femoral, impacto femoroacetabular e a displasia do desenvolvimento do quadril. Em muitos casos, denominamos a osteoartrose como primária por não haver uma causa determinada para sua ocorrência.

Se eu desenvolver osteoartrose em um quadril, também desenvolverei no outro?

Existem algumas patologias que causam osteoartrose nos quadris e que apresentam grande índice de bilateralidade. Pacientes portadores de osteoartrose secundária à doenças inflamatórias como artrite reumatóide e pacientes portadores de osteonecrose do quadril tem maior índice de bilateralidade. Porém, mesmo nestes grupos, pode haver acometimento unilateral.

Posso realizar a cirurgia dos dois lados no mesmo ato cirúrgico?

Sim, pode. Porém esta estratégia cirúrgica deverá ser planejada com maior cuidado. Se aplica apenas àqueles pacientes mais jovens e em excelente estado geral sem comorbidades.

De que material é feita uma prótese de quadril?

Uma prótese de quadril é composta de 3 partes (Componente acetabular+cabeça femoral+haste femoral). A haste femoral é metálica, normalmente de uma liga cromo-cobalto ou de titânio e é inserida no canal femoral. A cabeça femoral normalmente é feita de metal (cromo-cobalto), podendo ser feita de cerâmica em alguns casos e se encaixa no topo da haste femoral. O acetábulo usualmente é composto de dois componentes, um de polietileno (em alguns casos cerâmica ou metal) chamado de “liner” e de um “metal back” feito usualmente de titânio.

Meu novo quadril acionará detectores de metal em bancos e aeroportos?

Normalmente estes implantes não são detectados em bancos ou aeroportos. No entanto, aparelhos mais sofisticados e mais sensíveis tem sido desenvolvidos principalmente para uso em aeroportos.

Quando posso voltar a dirigir depois da cirurgia de colocação de prótese no quadril?

Liberamos nossos pacientes para dirigir novamente por volta de 6 semanas após a cirurgia.

É possível corrigir o encurtamento do membro inferior afetado durante a cirurgia?

O encurtamento do quadril afetado é secundário a um encurtamento ósseo. O grande problema é que as partes moles ao redor do quadril (músculos, tendões, nervos e cápsula articular) podem também estar encurtados e inelásticos. Então, é possível corrigir o encurtamento, desde que músculos, tendões e nervos apresentem elasticidade suficiente para a correção desejada. Usualmente, mas nem sempre, é possível corrigir diferenças de até 4 cm com segurança.

O membro inferior operado pode se tornar mais longo?

A grande prioridade durante a realização de uma artroplastia total do quadril é com o tratamento da dor e com a estabilidade da prótese. Em alguns casos, para que consigamos a estabilidade desejada da prótese, é preciso que alonguemos em alguns poucos milímetros o membro inferior afetado. Normalmente, este pequeno alongamento é compensado naturalmente pelo organismo durante os meses que se seguem ao tratamento cirúrgico.

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